Nomeação de Rúben Amorim marca o início de uma nova era no AC Milan Em relvado e, mais importante, nas redes sociais

Rúben Amorim é o novo treinador principal do AC Milan: o ex-técnico do Manchester United foi oficialmente revelado depois de assinar um contrato de três anos que o manterá no clube até 2029. A nomeação em si é surpreendente dada a tradicional relutância do futebol italiano em abraçar treinadores estrangeiros. O que é ainda mais marcante, no entanto, é a estratégia de comunicação visual que Milão usou para acompanhar o anúncio da Amorim nos seus canais de redes sociais.

Porque é que a Amorim representa uma mudança estratégica para o AC Milan

Após uma derrota por 2-1 frente ao Cagliari no último dia da temporada 2025/26 da Serie A — resultado que custou aos Rossoneri a qualificação para a Liga dos Campeões — o Milan entrou numa espécie de apagão nas redes sociais. Para além dos inevitáveis posts comemorando aniversários de triunfos anteriores da Liga dos Campeões, aniversários de jogadores atuais e antigos, e um punhado de atualizações relacionadas com o Mundial de 2026 e o setor juvenil, os canais do clube apareceram congelados no tempo. Era como se a história do Milan tivesse parado a 24 de maio. O único sinal real de atividade surgiu quando foi divulgado o calendário da Série A para a época 2026/27. Nessa ocasião, o Milan publicou duas imagens com um gradiente vermelho — uma dedicada a uma bandeira, a outra às icónicas torres de San Siro — ao lado da lista de luminárias.

“ROSSONERI”: A Revista Social Apresenta a Nova Direção de Milão

O anúncio do Amorim — um treinador português de 41 anos a sair de uma demissão do Manchester United durante a temporada 2025/26, o seu primeiro revés genuíno após passagens bem-sucedidas no Braga e no Sporting CP construído sobre um estilo ofensivo de futebol centrado em torno de uma formação 3-4-2-1 — abriu uma janela para o que parece ser a nova identidade do Milan nas redes sociais.

A cada janela de transferências, os clubes de futebol desenvolvem estruturas narrativas destinadas a elevar a natureza fugaz das negociações e especulações que acompanham os negócios até ao seu anúncio oficial. Para o mercado de transferências do verão de 2026, o Milan desenvolveu um conceito editorial: uma revista de redes sociais apropriadamente intitulada ROSSONERI”.

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O design da capa é limpo e deliberado: toda a tipografia aparece em maiúsculas, com o título posicionado na secção superior ao lado do cabeçalho “AC MILAN MAGAZINE”, o número da edição “SPECIAL ISSUE 01” e a referência sazonal “SUM '26”. A parte central da capa é ocupada por um retrato em close-up de Amorim, ligeiramente deslocado para deixar espaço para uma citação em destaque dentro de uma caixa de texto superior. Na parte inferior, a manchete “O NOVO TREINADOR PRINCIPAL COM RÚBEN AMORIM” serve de reportagem de capa.

Porque é que o Carrossel Parece Mais Um Fanzine Moderno

Cada detalhe do design faz referência ao mundo das revistas impressas. No entanto, considerando o formato — no caso de Amorim, um carrossel do Instagram de oito slides — pode ser mais preciso levar o conceito ainda mais longe e descrevê-lo como um fanzine: uma publicação independente criada para um público de nicho específico.

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À medida que os utilizadores percorrem o carrossel, a linguagem visual evolui. Seguindo o retrato formal apresentado no segundo slide, é introduzido um elemento mais áspero e mais cru: um slide que apresenta um pequeno artigo celebrando a carreira de Amorim, com a versão italiana exibida a preto e o texto em inglês renderizado em cinza, apenas um pouco mais escuro que o próprio fundo.

Aqui, alguns dos princípios fundamentais do design da revista começam a dissolver-se. O texto, por exemplo, deixa de ter uma justificação central; em vez disso, alterna entre o alinhamento à direita e à esquerda num ritmo visual deliberado.

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A partir daí, o conteúdo transforma-se em algo ainda mais evocativo, aproveitando o poder visual do vermelho em combinação com a fotografia, a tipografia e, acima de tudo, o brasão do clube. Um último detalhe merece atenção: o selo apresentado no slide oito, uma referência direta à nova camisola Home e especificamente ao motivo do selo de cera que, na visão de Milão e patrocinador técnico PUMA, salvaguarda o brasão Rossoneri. Pretende-se como um símbolo intemporal transmitido de geração em geração.

Tipografia, Layout e Hierarquia Visual

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Até a escolha das fontes sinaliza uma nova direção criativa. A estética limpa das fontes sem serifa confere compostura e equilíbrio ao layout geral, mas floreios artísticos subtis permanecem visíveis. Uma é inevitável: o acentuado “ú” em nome de Amorim, um pequeno detalhe que provavelmente desaparecerá de grande parte da imprensa nacional nos próximos dias, acostumada como está a domesticar nomes estrangeiros.

A segunda liberdade artística é mais subtil, representada pelo pequeno traço decorativo que completa o terminal da letra “r” na capa. É um floreio menor, mas que pretende evocar elegância e património. Esta composição ordenada e cuidadosamente curada é ainda mais amplificada por uma escolha de design que pode parecer inicialmente contra-intuitiva mas, em última análise, reconecta o projeto à ideia de um fanzine: números de página renderizados em estilo gótico, uma referência ao conceito dos “Diabos”, o apelido histórico de Milão.

A Nova Identidade Visual do Milan para além da Jornada

Se Amorim vai provar ser o homem certo para o Milan é, para emprestar um dos clichês mais antigos do futebol, algo que será decidido em relvado. O que já parece ser a decisão certa, no entanto, é a direção que o clube escolheu para a sua comunicação nas redes sociais. É uma identidade visual que reflete a herança de Milão ao mesmo tempo que se enquadra em uma paisagem europeia mais ampla em que os clubes investem esforços consideráveis na construção de marcas distintas e reconhecíveis.

Os apoiadores, afinal de contas, passam a maior parte do tempo nos seus telemóveis — e consequentemente nas redes sociais. A regra de ouro continua a ser menos é mais, mas fora das jornadas de jogo está longe de ser fácil gerar um envolvimento significativo dentro de uma comunidade global de fãs. Na base de qualquer estratégia de comunicação bem sucedida, deve haver sempre um quadro conceptual forte, que assegure que o conteúdo seja orientado por ideias e não por circunstâncias. O princípio aplica-se tanto no relvado como nas redes sociais.

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